terça-feira, 6 de julho de 2021

AS MANIFESTAÇÕES E O COMBATE AO OPORTUNISMO.



 Vivemos um momento de despertar dos movimentos de massa provocado pela agudização das contradições de classes em um cenário de crise geral do capitalismo burocrático atrelada à crise sanitária em nosso país.


 Tal cenário de morte, fome, desemprego e miséria acenderam o fogo da revolta na população. As demandas cada vez mais incisivas do povo brasileiro de certo modo forçaram as siglas oportunistas a irem para as ruas. Mas quase nunca o que parece ser de fato é. O fato de o oportunismo estar nas ruas não significa abandono do imobilismo por parte desses protetores da velha ordem.


 A função do oportunismo vêm se mostrando clara: denunciar e condenar a combatividade da justa revolta popular e apontar o caminho eleitoreiro como único caminho, o único do qual eles se beneficiam, minar a coesão das forças combativas e democratas de nosso país com promessas apaziguadoras que beneficiam, em última instância, o velho Estado em decomposição e o imperialismo. 


Qualquer traço de combatividade por parte de movimentos sociais e de manifestantes é motivo para acusar-nos de terroristas, de vândalos, baderneiro e "ultra-esquerdistas" para nos entregar para a polícia, como bons amantes da velha ordem que são. Isto não apenas de hoje, podemos ver tais atitudes desde as formulações teóricas de lideranças apodrecidas de partidos ditos “revolucionários” até a ação policialesca de movimentos e partidos em 2013 e de agora. 


Para nós, verdadeiros democratas, interessa resolver o problema agora. O governo genocida de Bolsonaro e seus militares está matando o nosso povo diariamente, assim como os politiqueiros de plantão. Travar sucessivas lutas estando ao lado do povo está na ordem do dia.


O que significa a sigla oportunista UNE (União Nacional dos Estudantes) ter tentado puxar o ato posterior ao dia 19 de junho somente para o dia 24 de julho? Significa promover o imobilismo, buscar adequar aos desígnios eleitoreiros a justa rebelião das massas, opondo as reivindicações dos movimentos combativos e abrindo espaço para a penetração das teses conciliatórias e para o engano das massas oprimidas que hoje tanto sofrem pelo avanço da repressão e do fascismo, levadas a crer que suas pautas anti-opressão estão desligadas da luta de classes. A CPI da Covid-19, o processo de impeachment que, caso acontecesse, o que ainda é uma impossibilidade, levaria no mínimo nove meses para ser concluído, servem ao mesmo propósito: desgastar o governo militar genocida de Bolsonaro e apaziguar as massas para abrir o caminho para as eleições em 2022. A disputa que devemos firmar é pelo Poder das massas, das classes progressistas, pois desgastar Bolsonaro e mantê-lo na presidência é deixar sangrar o povo brasileiro. É jogar com a nossa vida. Devemos esperar morrer mais meio milhão de brasileiros e brasileiras? É isso que estão fazendo! E tudo para retomarem as pretéritas posições de prestígio na gestão do Velho-Estado.




Não afirmamos aqui, porém, que única e exclusivamente atos derrubarão esta Velha-Ordem, menos ainda estas que prezam pelo respeito às instituições que cortam o coro de nossa gente diariamente, e que pregam a mesma trajetória, os mesmos gritos de guerra, as mesmas falas de sempre etc.; é importante manter as massas mobilizadas, é importante formações constantes, radicalização das pautas, melhoria da organicidade e para isso acontecer há que combater todo oportunismo. Porém, para derrotar a força organizada do fascismo e seus aparatos centrados no Velho-Estado, há que existir uma força que a contraponha, que seja sua negação em todos os aspectos, a construção de algo novo, e isso, é impossibilitado pelos próprios limites que manifestações impõem.


Sabemos que em um momento de despertar dos movimentos de massas as forças da direita e da falsa esquerda aparecem para esvaziar o sentido político da luta a fim de a adequar aos seus interesses sujos e tornar a revolta das massas em palanque eleitoral, em tapete para o trono. A direita já começou a disputar as ruas com as forças de esquerda. Diante disso, a falsa esquerda eleitoreira cumpre o seu papel de animal doméstico dessa direita. Temos claros exemplos em João Pedro Stédile, dirigente nacional do MST, que afirmou que o PSDB é bem-vindo aos atos de rua, ou em Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL, que elogiou a adesão do PSDB aos atos de rua em São Paulo e convidou Kim Kataguiri, filhote do nazifascismo de paletó, do MBL, para o ato. 


Por que fazem isso?


 Pois não poderiam fazer nada além disso, pois, como os mencheviques na época da Revolução Democrática na Rússia, se bem que de forma mais farisaica, colocam a frente para as massas que apenas pela harmonia com a burguesia e seus representantes podemos avançar (e eles de fato assim avançam, se bem que para o mesmo local confortável na burocracia estatal de sempre). Ou seja, essa esquerda está sempre a reboque da direita cumprindo bem o seu papel de guardiã da velha ordem. 


Não há nenhum projeto político de libertação do nosso povo que não sejam as eleições em 2022, postulam eles, mas nós devemos reconhecer compreendendo a história brasileira e a história recente que a via eleitoral não resolveu nenhum de nossos problemas fundamentais, mas sim serviu o propósito do FMI de pacificação das massas por meio de esmolas e de expansão do latifúndio de novo tipo. Devemos compreender profundamente as verdadeiras lutas que ocorrem em nosso país, a mais importante delas, principalmente, que é a luta pela Revolução Agrária, que busca superar a contradição entre as massas e o latifúndio. Por isso, precisamos ir além do impeachment e do Fora Bolsonaro.


Em São Luís-MA, o oportunismo, que encontra sua maior expressão na UNE (leia-se também UJS e UBES), tem sofrido perdas humilhantes. Suas palavras de ordem e suas ações têm sido rejeitadas pelos manifestantes nas manifestações recentes, como fruto do sério e grandioso trabalho dos militantes combativos e engajados, a sua necessidade e desejo execrável de palanque tem sido percebida e rechaçada. No último ato, do dia 3 de junho, rompemos, ao lado da juventude, com o imobilismo do oportunismo ao exigirmos o avanço da manifestação para ocupar a ponte São Francisco (mesmo que essa tenha sido a proposição inicial dos próprios oportunistas, que temeram "enfrentar" menos de mais dúzia de fardados) e, neste momento, a juventude combativa tomou a linha de frente, não apenas rechaçando os constantes pedidos das direções encasteladas de não avançar a tomada da ponte, como depois, de pouco a pouco, notaram os reais interesses dos seus dirigentes. 


Os democratas revolucionários carregam uma dupla tarefa: lutar contra o oportunismo e contra o fascismo no seio das mobilizações de ruas. Ir além do impeachment. A nossa luta na cidade é servindo o povo de todo coração, sendo capazes de apreender as justas demandas das massas, buscar lutar para dar cabo aos seus interesses imediatos e urgentes, dando consequência e justeza através da luta combativa para a resolução de tais demandas; organizar a juventude com sede de luta a ocupar seu espaço no chão das ruas, das periferias, dos centros de trabalho etc.





De forma conjunta, nossa luta é contra o latifúndio, contra o Velho Estado e tudo que ainda o sustenta. Precisamos levantar a bandeira da Revolução Agrária e da gloriosa LCP, que a encabeça, encabeçando o mais importante e principal passo de nossa atual Revolução Democrática, portanto. 


Este é o caminho revolucionário.




ABAIXO GOVERNO MILITAR GENOCIDA DE BOLSONARO!
VIVA A LCP - LIGA DOS CAMPONESES POBRES!
MORTE AO LATIFÚNDIO!
ABAIXO O OPORTUNISMO ELEITOREIRO!
REBELAR-SE É JUSTO!


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