quinta-feira, 24 de junho de 2021

O POVO NÃO PODE ESPERAR ATÉ DIA 24 DE JULHO PARA SE MANIFESTAR!

 


Ontem ocorreu a assembleia para decidir a data da próxima manifestação contra Bolsonaro. No dia anterior já havia acontecido uma espécie de assembleia paralela capitaneada pela entidade governista, que apoia hoje o oportunismo de Flávio Dino e sempre apoiou o oportunismo petista, União Nacional dos Estudantes (UNE), onde o ato ficou decidido para o dia 24 de julho. Sobre isso, podem ser conferidas as notas do Coletivo Ao Povo Brasileiro - Norte Fluminense e do Coletivo COMBATE(R). É notável que desde o início da segunda assembleia parecia quase certo na boca dos oportunistas que seria decidido de fato este dia. Grande parte das organizações que se inscreveram para entrar na assembleia não conseguiram entrar por pura incapacidade dos organizadores de dirigir uma assembleia dessa magnitude.

Junto a estes problemas, os “sorteados” eram sempre pessoas de organizações específicas, principalmente as organizações citadas na nota da UNE sobre a reunião paralela que decidiu o ato para o dia 24 do próximo mês. Poucos sorteados e convidados se posicionaram de forma contundente e combativa. Notadamente apenas quatro: o companheiro Thiago Torres (Chavoso da USP), o companheiro Galo, a companheira Heloisa da Associação Democrática Brasileira (ADB) e uma companheira anarquista. O companheiro Thiago, após a decisão da data, manifestou-se contra ela em suas redes sociais, bem como a ADB. De resto, a impressão de quem estava vendo era de que não havia nenhuma oposição àquelas concepções errôneas de esperar até o dia 24 de julho para protestar contra o governo que está matando nosso povo agora, oprimindo camponeses agora e que não vai fazer uma pausa e esperar até os protestos para voltar a fazer isso.

A luta nos ensina a travar sucessivos combates sem descanso, nos ensina que o que está acontecendo no Brasil é urgente. Temos 4 jovens camponeses presos após lutar, mais 17 presos em uma operação para reprimir os camponeses pobres em Rondônia. Ao todo são 21 presos políticos, meio milhão de brasileiros mortos e estamos só no meio do ano. “Quem cala sobre teu corpo consente com a tua morte”, e é justamente desse silêncio que estamos falando. Há oposição a este imobilismo e a essa preguiça em marcar atos e certas direções que acreditam ter o monopólio do ato, serem donos da luta do povo, devem entender isso.

Por último é importante indagar: o governo fascista e genocida de Bolsonaro não vai parar ou esperar para prender, não vai parar de matar, não vai parar de vender nosso país, então por que nós, enquanto combatentes, devemos parar de protestar? A resposta é que não, não devemos parar, até que saia não só Bolsonaro, mas que saiam ele, Mourão e militares e que saiam todas essas classes dominantes canalhas que estão aí no poder desde 1500.

A revolta do povo não será contida pelos desígnios eleitoreiros de governistas e oportunistas, de traidores do povo que em 2013 estavam mandando a polícia fazer segurança de protesto para que os combativos companheiros do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) não participassem. As massas vêm sabendo escolher suas lideranças, pois o oportunismo da UNE e consortes não mais as serve. Em todo Brasil, as massas se voltam para os combativos e comunistas de fato, apontando para a decomposição última do oportunismo, que segue a decomposição de sua verdadeira matriz, o imperialismo.



ANEXO:


Posicionamento acerca da tentativa de sabotagem da mobilização popular


Este crítico momento o qual nos deparamos nos cobra decisão e firmeza: ou nos apoiamos na mobilização popular para derrubar o governo militar genocida de Bolsonaro, ou aguardamos apáticos a escalada do morticínio provocado por estes. Não existe meio termo. Os acordos de cúpula, a CPI da pandemia, as eleições de 22, nada disso representa uma resposta a altura da fúria das massas. Existe o caminho da luta e o caminho das ilusões e precisamos demarcar de imediato de que lado estamos. 


Nesse momento de levantes em todo o Brasil, se desenvolvendo como manifestações de caráter combativo e interessadas em resolver o presente morticínio do povo, que as lideranças encasteladas, distantes dos desejos das bases e dos anseios das massas optam pelo caminho eleitoreiro e da desmobilização. 


No cenário onde a justa revolta popular começa a angariar a combatividade necessária e representativa da fúria que acomete o povo, que os amantes da ordem rompem com as decisões que vinham sendo dirigidas pelas próprias decisões populares, apesar dos pesares. 


A decisão tomada pelos dirigentes de organizações imobilistas de atacar a mobilização popular, de negar a força das ruas para dar vez a respostas conciliadoras é mais uma das incontáveis provas da sua posição de traidores do povo. 


O que significa marcar o próximo ato nacional para daqui a um mês? Será que a situação não cobra urgência, será que devemos ter paciência diante de um genocídio? É um delírio dizer que não podemos perder tempo, que é preciso brigar sem descanso para manter as massas ativas e mobilizadas, a começar, na luta em defesa de vacina, socorro aos desempregados, comida, emprego, teto e terra aos camponeses. Significa que a intenção destes é burocratizar a luta, é desarmar o povo do seu poderoso instrumento de poder. Eles tem mais medo das massas mobilizadas do que da própria extrema-direita fascista, porque sabem que o povo vai cobrar cada omissão, cada traição. Delirantes são eles em querer calar as massas, em querer lograr louros através do sofrimento e dor do povo brasileiro.


Quanto mais se aprofunda a luta de classes no país, e da necessidade de ser assumida uma postura determinada e digna contra a ordem genocida, mais desponta o verdadeiro caráter anti-povo e desinteressado da luta por parte dos oportunistas e pelegos de plantão.


Eles se borram de medo ao encarar a fúria das massas, negam com toda veemência o caminho democrático de dar voz ao povo para que este tome em suas mãos o seu próprio destino. Representam uma verdadeira camisa-de-forças para as massas. Um inimigo que se engendra e dissemina dentro do próprio povo. 


Impulsionam uma polarização dentro das classes oprimidas, colocando o povo contra o povo. Nós devemos sim polarizar a sociedade de classes, mas polarizando as massas amplas contra seus inimigos, a grande burguesia e o latifúndio. E para que isto aconteça é imprescindível que realizemos o combate também àqueles que sustentam nossos inimigos direta ou indiretamente desde dentro de nossas fileiras para sabotar a justa rebelião.


COMBATE(r), 22 de junho de 2021

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