terça-feira, 4 de maio de 2021

CHAMAMENTO CONJUNTO AO APOIO E À SOLIDARIEDADE À LCP

 

"Não há maior padecer

Do que um camponês viver

Sem terra pra trabalhar" 

(Patativa do Assaré) 

 



A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) nasce como fruto da resistência. Foi resistindo ao latifúndio que os camponeses tomaram justamente as terras de Santa Elina, palco da Heroica Resistência de Santa Elina (1995), na qual armados de paus, pedras, armas rudimentares, os camponeses lutaram bravamente contra pistoleiros e policiais que defendiam os interesses de Antenor Duarte, latifundiário mandante. O governador Valdir Raupp (PMDB) foi quem sancionou a ação assassina à época. Após a resistência, os camponeses rendidos foram torturados e massacrados, mesmo idosos e crianças. Vanessa, de 7 anos, foi morta com um tiro de fuzil.

A brutalidade cometida pelo velho Estado, pelo latifúndio e seus lacaios foi respondida não com rendição, mas com maior resistência, com organização, com demarcação de linha revolucionária clara. A morte destes companheiros e companheiras regou com sangue a formação da LCP. Mesmo condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, o velho Estado brasileiro, sob nenhum governo, levou a cabo a punição dos envolvidos no massacre posterior à batalha. Prova disso é que José Hélio Cysneiros Pachá, um dos carniceiros de Corumbiara, hoje é secretário de defesa de Rondônia e continua a conduzir a mesma política, ordenando um massacre ainda maior de sua posição junto ao burocrata Marcos Rocha, governador do estado. 25 anos após a resistência que deu início à LCP, a antiga fazenda Santa Elina foi conquistada. Não houve como parar os camponeses e é por isso que agora os ladrões de terra e cães do velho Estado os temem tanto mais.

Desde 1995, portanto, a Liga dos Camponeses Pobres vem organizando o campesinato brasileiro em uma linha revolucionária, realizando a revolução agrária e tendo como objetivo destruição total do latifúndio. Vivemos em um país onde em mais de 500 anos a questão da terra nunca foi resolvida, e isso é proposital, serve para manter uma classe dominante de latifundiários que se alimenta da miséria do povo. É por este motivo que a LCP sempre foi vista como uma ameaça ao velho Estado burocrático. Como toda ameaça aos desígnios da classe dominante, o Estado burguês-latifundiário tratou de tentar eliminá-la, sempre, de qualquer forma possível.

Da fundação da Liga até agora diversos dirigentes e militantes foram presos, perseguidos e assassinados pelo latifúndio e pelo velho Estado. Destacamos os companheiros Zé Bentão, dirigente revolucionário da Liga, e Renato Nathan, professor e militante. Zé Bentão foi emboscado e Renato Nathan foi assassinado e tachado de guerrilheiro por ter mapas de cartografia em sua casa. Destacamos mais recentemente as mortes do companheiro Fernando, testemunha ocular da Chacina de Pau D’Arco, que assistiu nesta chacina seus companheiros e o próprio namorado serem mortos pela polícia e pistoleiros, do companheiro Jerlei, covardemente assassinado a mando do latifúndio, desarmado e sem como resistir, e do companheiro Roberto, comerciante apoiador da Liga, também violentamente e covardemente assassinado.

Mas nem mesmo as chacinas cometidas contra os camponeses foram capazes de deter a Revolução Agrária. A fazenda Santa Lúcia, palco da Chacina de Pau D’Arco, meses depois, foi retomada pela LCP. As ameaças contra os acampamentos na antiga fazenda Santa Elina só fortalecem a sede de resistência dos camponeses, de justiça. O velho Estado não irá “pacificamente” eliminar os inimigos das classes dominantes.

Por conta dessa resistência e persistência no caminho correto de tomar todas as terras do latifúndio a mídia podre trata também de difamar a LCP, acusando-os de terroristas, guerrilheiros e até mesmo torturadores, repetindo as palavras dos burocratas e dos latifundiários. Mas o povo brasileiro sabe que os camponeses não são terroristas, que a Liga é formada por famílias lutando pelo seu direito à terra, lutando por um Brasil melhor e mais justo, sem latifúndio e sem servidão. Os terroristas são os donos do poder, os latifundiários que matam e desmembram famílias como fizeram ao assassinar Renato Nathan, Fernando, Jerlei. São eles que torturam camponeses, ameaçam moradores dos acampamentos e proximidades, assassinam comerciantes apoiadores da Liga etc.

Estamos em um contexto de fascistização total do velho Estado, por isso não é de se surpreender que nesse momento o carniceiro Marcos Rocha, governador de Rondônia, e o genocida Jair Bolsonaro se unam para tentar de alguma forma acabar com a LCP com a desculpa de que estão “contendo o terrorismo”. Tais ações já foram iniciadas com os recorrentes ataques ao Acampamento Manoel Ribeiro e ao Acampamento Tiago dos Santos, com as perseguições, com os cercos, com o assassinato de camponeses durante todo o ano. Chamam a isto de “paz no campo”, a paz regada com sangue da guerra contra o povo.

Esta tal “paz no campo” não vem sem prelúdio nem sem fim. O golpe militar em curso, a decadência das instituições burguesas são o prelúdio destes ataques. Não começaram hoje nem ontem, nem são um projeto exclusivo de Bolsonaro, mas o fruto da decadência da “democracia” burguesa, do recrudescimento da contrarrevolução mundial. Os generais e Bolsonaro cumprem o papel de reorganizar o caos da falha tentativa de mediação dos conflitos de classe pelo Estado parasitário através do recrudescimento da repressão das forças progressistas. O fim disto tudo seria eliminar todas as forças revolucionárias brasileiras e silenciar todas as reivindicações democráticas, mas isto sabemos que jamais conseguiram nem conseguirão.

O brasileiro já está cansado de ouvir essas velhas acusações de terrorismo como desculpa para reprimir e assassinar nosso povo, as mesmas usadas para a cruel tortura e assassinato dos militantes que resistiram à ditadura, como todos bem sabem. Esta mesma desculpa foi usada para justificar as sucessivas prisões e torturas de Marighella, a Chacina da Lapa, a tortura e prisão do jovem Manoel Lisboa.

Sabemos que tudo isto é mentira. Devemos deixar a mentira continuar? Devemos deixar que acusem camponeses armados de enxadas, paus, pedras, armas de caça comuns, que se defendem contra forças pagas pelo latifúndio quando estas os atacam, de terroristas? Que usem isso como justificativa para novos massacres? O dever das forças progressistas é combater essas mentiras do velho Estado, combatê-las ativamente, unir-se em torno da defesa da LCP! Devemos condenar o latifúndio e declarar que sua época histórica já passou, que ele está caduco e deve ser extirpado! Devemos denunciar o velho Estado, que perpetua hoje um genocídio que já ceifou 400 mil vidas, por seus crimes contra os camponeses pobres!

Nós, conjuntamente, damos aos companheiros e companheiras da Liga dos Camponeses Pobres todo o nosso apoio e solidariedade e sabemos que a história mostrará que Bolsonaro e Marcos Rocha assim como todos os outros reacionários são tigres de papel, já estão derrotados historicamente.

Conclamamos a defesa da LCP por todas as forças democráticas do Brasil e declaramos este um assunto de máxima urgência. Sabemos que os camponeses jamais se curvarão e nós não iremos também nos curvar, não iremos nos acovardar frente à ameaça anunciada. Disse Marighella: “Não é racional renunciar a ser livre”. Dizemos o mesmo e defendemos sobretudo a liberdade da rebelião contra as injustiças existentes em nossa nação.



Esta é uma carta conjunta assinada por:

Grupo de Estudos Ao Povo Brasileiro

Coletivo COMBATE(r)

João Carvalho

Cspopular Anani

Movimento Amazonas Vermelho

Coletivo Carcará

Grupo de Estudos Autonomia Popular

Grupo 9 de Maio

Levante Popular Antifascista-Maranhão

Labareda Podcast

Periódico El Pueblo

Comitê Sanitário de Defesa Popular-Bahia

Unidade Vermelha-Bahia

Revista Amigo do Povo

CEPS Songun

Lucas Rúbio

Coletivo Onças Pintadas

Coletivo Mangue Vermelho-MV

Coletivo Fala Alto

Solarwaver

Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia

Edições Ciências Revolucionárias

RevoluStore

Padre Júlio Lancelotti

Vladimir Safatle

Associação Democrática Brasileira-ADB

Nota: iremos atualizar a Carta de acordo com as novas assinaturas periodicamente




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