segunda-feira, 5 de abril de 2021

Sobre o Anticomunismo: Parte II:

O revisionismo consiste como uma degeneração do marxismo no seio do proletariado (sendo essa a contradição principal no seio do movimento, a luta entre o revisionismo e o marxismo). No próprio desenvolvimento da prática da revolução, surgiram tendências, formas de pensamento que entraram na disputa com a linha revolucionária e visavam, nas suas diferentes facetas, a contra-revolução, contrariedade à ditadura do proletariado, sabotagem as decisões do partido, assunção de crenças reacionárias, em suma, a restauração capitalista.
A essência do revisionismo consiste em introduzir a ideologia burguesa no movimento operário sob a aparência de marxismo. Os revisionistas, como afirmou Lênin, dedicam-se à “castração burguesa” do marxismo em todas suas partes constitutivas: filosofia, economia política e socialismo científico.
 
 Assim, o revisionismo anda de mãos dadas com o imperialismo, e a semicolonialidade, sendo justamente dentro do debate no seio do movimento do proletariado, que assume a linha de permissividade com o estado de coisas, ao tentar camuflar, sabotar, silenciar e perseguir a linha revolucionária. Mantendo as condições atuais de existência do Capital e do latifúndio.
É preciso enxergar como que a política revisionista tem como base uma demonização, um ataque feroz e sanguinário a todo e qualquer processo revolucionário, ou tenta interpretá-lo como uma suposta “utopia” impossível de concretizar-se (por isso deve-se reinterpretar o caráter de aceitação da democracia burguesa, ditadura das classes dominantes). Nisso consiste, inevitavelmente, na estúpida análise da história do movimento comunista internacional, impondo a condição de “socialismo”, nova “vertente do socialismo”, ou “socialismo à moda chinesa”. Para estes doutos senhores dirigistas “não existiram os golpes revisionistas na URSS (1956) e na China (1976) senão que a correção de rumo desviado por extremistas esquerdistas; para quem a restauração capitalista na URSS só se deu em 1990 e a China continua socialista "ao seu modo". Ou seja, onde há revisionismo e oportunismo vêem socialismo, onde há revolução e ideologia proletária enxergam aventureirismo, esquerdismo e dogmatismo.”  
Nessa linha de defesa da capitulação é posto a via eleitoral e o cretinismo parlamentar como possíveis (eternos) caminhos e se reintegram as estruturas do Velho Estado e quando falam de revolução, ou é uma “acumulação gradual de forças” por toda a eternidade, ou o “horizonte socialista” que nunca se concretizará. Ou até mesmo devido a sua inoperância e inexistência perante as massas, prendem-se a defesas efusivas de serem linhas auxiliares de partidos cuja centralidade teórica e prática de nada compactua-se, ou que ao menos não deveriam compactuar-se, tentando impor às suas bases, através de um dirigismo, a crença na via eleitoral. Para isso, tornam-se, justamente, organizações avalizadas pelo TSE.

A assertiva de Lenin de que combater o imperialismo sem combater o oportunismo não passa de fraseologia oca, não apenas se confirmou, como se tornou questão chave, com o revisionismo convertendo-se, cada vez mais, de um instrumento auxiliar da burguesia em sua arma mais avançada no combate à revolução proletária. 

Com a fadada degenerescência do Social-Imperialismo da URSS que desemboca na Queda do Muro de Berlim que só confirma ao mundo a já ignóbil abertura econômica, e o golpe que se instaurara internamente ao Partido, atrelado ao retorno de condições precarizadas e de relações pautadas na exploração para as massas; diversos partidos e movimentos ao redor do mundo capitularam alegando aquela ser a derrota do socialismo. Portanto, é necessário sempre afirmar: as condições objetivas de uma sociedade socialista já havia sido boicotada através do golpe que se inicia com Kruschov, se desenvolve com Gorbatchev e é enterrado por Yeltsin. “Se o socialismo perdeu uma batalha, perdeu para seus inimigos internos: o oportunismo e o revisionismo. E essas derrotas, servindo como amargas lições, são temporárias.”

O imperialismo e, mais importante, por estar no nosso “campo de luta” alegando-se marxistas, o revisionismo, ostenta a Queda do Muro de Berlim (muro este criado em 1961, depois da morte de Stalin) como uma justificativa de “revolucionar” a teoria científica e revolucionária do proletariado (como é o caso do “PseudoB” e variantes).

O PCP (Partido Comunista do Peru) foi uma das forças que seguiram na luta armada, seguiu sustentando, a ferro e fogo, o marxismo-leninismo através do seu desenvolvimento em maoísmo e da guerra popular. Todos os outros partidos da América Latina, que se diziam comunistas, encantaram-se com o engodo liberal e imperialista de que a “a democracia burguesa é inevitável” e todas capitularam e renegaram a revolução nas décadas seguintes de 1980 e 1990. Por esta contundente iniciativa do PCP em desfraldar o maoísmo, compreendido como nova, terceira e superior etapa de desenvolvimento do marxismo, através da Guerra Popular no Peru, constituíram-se no mais importante impulsionador e reagrupador do Movimento Comunista Internacional, incentivando enquanto alicerce e exemplo às outras iniciativas de Guerra Popular que são desfraldadas ao redor do mundo, como nas FIlipinas, na Índia, na Turquia e no próprio Peru.

O socialismo rasteiro e de retórica destes movimentos e partidos confronta-se com a comprovação histórico-concreta de que as classes dominantes angariam de todas as forças reacionárias possíveis para não abandonar seus tronos, e que para a revolução suceder em nossa semi colônia, terá que ser preparada no “curso de sucessivas batalhas duras e sangrentas, único caminho possível para se coesionar e forjar a força social capaz de demolir todo o aparelho reacionário e edificar outro sobre suas cinzas”. 

Nos seus ardores de teorias acadêmicas e que não possuem aval na realidade material, incorporam-se um enorme “acordo de paz e conciliação” com a ordem, e aceitam a reação do Velho-Estado, visto que, mesmo as bases desses partidos e organizações possuírem firmeza em suas práticas, dedicarem-se almejando uma nova sociedade, pouco importa suas questões posicionais, já que o dirigismo e a imposição das carcomidas pseudo-lideranças, impõem as bases as sempre novas “análises de conjuntura” e ações a serem seguidas, de cima para baixo, uma vez que entendem o centralismo democrático como “ultrapassado”. O rompimento com estas organizações e partidos, com o desenvolver da crise do capitalismo burocrático, torna-se cada vez mais necessária, para a consolidação e unidade do pensamento e prática revolucionária.  

É importante salientar, a vergonha e descaramento destes indivíduos burocratas, ao relacionarem-se com a história do próprio movimento comunista, sempre envergonhados e acovardados quando se é para defender violência revolucionária, ditadura do proletariado, tomada do poder, etc., todos covardes! Se a preocupação de parecer “agressivo” é maior do que o ódio que deve ser sentido sobre os algozes de nossa classe, então abandonem a bandeira vermelha! 

Pensemos, por fim, na bancarrota que passa hoje o revisionismo, suas “teorias de paletó” reveladas como farsas históricas, que reflete na juventude, principalmente, a busca por mudanças que não podem ser oferecidas pelos limites de seus partidos/organizações e, estudando a história do MCI, por conta do novo momento que o mundo tem passado, de crise geral do imperialismo e tempestade revolucionária que se aproximam, exigem demandas, ações e modelos organizativos muito desenvolvidos para as mentes ossificadas do imobilismo e dirigismo. Nas condições atuais do revisionismo, com o levante de massas que virá definitivamente, caso não comporte-se como filhote do Velho-Estado, acusando de aventureirismo e esquerdismo a justa rebelião das massas, está fadado a morte, com a vitória da luta popular, superando seu atual estágio de putrefação.   

É notório, portanto, a aproximação de jovens a esta linha revolucionária, devido, primordialmente, por apontar um caminho que vem se provado na concretude, que combate a contra ofensiva geral do imperialismo (com seu auge nos anos 90) no campo político, econômico e ideológico, e vem produzindo resultados práticos.  

 

 Sugestões de leituras:

A Minha Ruptura com o Revisionismo da direção do PCB

Eleição Não! Revolução Sim! (FRDDP - Brasil)

Por que maoísmo? 

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