terça-feira, 19 de maio de 2020

"A Greve": realidade,organização e luta do operariado na Rússia czarista

SINOPSE DO FILME "A GREVE"

No ano de 1903, na Rússia pré-revolucionária, os trabalhadores vivem sob a opressão das forças da ordem, em condições deploráveis de  exploração. Por isso começam a organizar-se para reivindicar direitos e  formar uma  greve.  O suicídio  de  um dos  operários, acusado  injustamente  de  ser um ladrão pelos diretores da fábrica,  é o estopim da greve. Porém os  espiões  são  recrutados para se infiltrar nas zonas  proletárias e  desestabilizar  o movimento   operário,  que  sofre  uma repressão violenta do exército czarista.

POR QUE ASSISTIR?

“A força da classe operária é a sua organização. Sem organização das massas, o proletário não é nada. Organizado, é tudo. Ser organizado significa unidade na ação, unidade da atividade prática”

Essa frase de Lênin, dita em 1907, inicia o trabalho de estreia do grande diretor de cinema soviético, Serguei Eisenstein (1898 em Riga - 1948 em Moscou), que com apenas 26 anos lançava “A Greve” (1925). 

O filme narra um episódio da luta travada pela classe operária para sua libertação e de como a contrarrevolução atua das maneiras mais reacionárias e sujas para conter o avanço da luta proletária.


Serguei Eisenstein, antes mesmo de lançar seu mais famoso trabalho “O Encouraçado Potemkin” (1925), revoluciona esteticamente o cinema pondo em prática tudo o que aprendeu e teorizou como aprendiz de Lev Kulechov (1899 em Tambov - 1970 em Moscou) 

Eisenstein apropria diversos elementos da narração teatral (muito presente no cinema da época) e quebra-lhes através de sua montagem dinâmica, com cortes e planos rápidos. 

Deste modo, utilizando-se de diversas combinações de imagens paralelas e planos-detalhe, Eisenstein cria metáforas visuais durante todo o filme, sugestionando a emoção do telespectador e transmitindo com eficiência as ideias presentes nas cenas do filme, desenvolvendo, assim, a técnica de montagem que criou, a “Montagem Intelectual” ou “Montagem Dialética”, muito utilizada no cinema contemporâneo.

Diferentemente dos filmes que seguem o padrão narrativo hollywoodiano, nos filmes de Serguei Eisenstein não existe “um protagonista”, o que não significa que não haja um “protagonismo” no cinema de Eisenstein. 

Significa que esse “protagonismo” se apresenta de modo diferente: enquanto nos típicos filmes hollywoodianos existe sempre um herói e um vilão, postos como antagônicos, no cinema de Eisenstein essas figuras também são antagônicas, porém ambas se apresentam como coletividade. 

O herói em “A Greve” é a classe operária, que através da greve, resiste e luta contra a opressão do vilão, os capitalistas donos da fábrica e as forças de repressão do czarismo. 

Eisenstein, dessa forma, quebra noções de individualismo presentes no cinema hollywoodiano, criando, assim, no telespectador um nível de consciência política e noções de coletividade.

“A Greve” é um filme importante para entender o desenvolvimento do cinema e de como o mesmo possui um papel importante na politização das massas. 

No entanto, “A Greve” é muito mais que isso, pois é importante para entender quanto sangue de trabalhador foi derramado em sua luta internacional; quantas lutas a classe trabalhadora ainda vai perder antes de conseguir conquistar a revolução socialista.

É um filme importante para entender que, apesar das derrotas, no fim, a classe trabalhadora triunfará: catorze anos depois dos acontecimentos narrados no filme, em 1917 ocorreu a primeira revolução proletária - a revolução bolchevique.


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