quarta-feira, 29 de abril de 2020

Uma chispa pode incendiar a pradaria

É preciso entender muito bem a questão central da crise política no país. São duas situações em desenvolvimento. Uma é a do “governo aparente” de Bolsonaro e o “de fato” do governo militar secreto dos generais. Após a grave crise palaciana que durou de abril a setembro, e tendo ambos os grupos contendentes (a extrema-direita de Bolsonaro e a direita militar do Alto Comando das Forças Armadas – ACFA) se desgastado, por uma questão de “salvação do barco” chegaram a um acordo para abrandar a crise e fazer recuperar a economia. Acordo este frágil e temporário, que não pode se manter por muito tempo, e quando menos possa se esperar, voltarão os bate-bocas e disputas ferozes.
A outra situação da crise é a da, ora latente, e por isso inevitável, rebelião popular que todo dia e em todo país, no campo e cidade, lança suas chispas no ar. É a resistência camponesa pela conquista da terra, a luta indígena pela demarcação de seus territórios roubados pelo latifúndio; é a luta dos estudantes e professores em defesa da educação pública e gratuita, a luta dos trabalhadores em defesa de seus direitos pisoteados e por moradias; a luta da juventude pobre por liberdade, trabalho e contra a sanha da repressão policial. É a acumulação crescente de material inflamável feita de indignação, ressentimentos e ira represados.

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