quarta-feira, 29 de abril de 2020

Chile: Preso político mapuche denuncia perseguição

Foi enviado ao jornal A Nova Democracia a declaração pública de Víctor Llanquileo Piquilmán, mapuche prisioneiro político que foi condenado a 21 anos de prisão nas masmorras do velho Estado chileno, por lutar pelo direito sagrado à terra.
O prisioneiro político mapuche, da prisão Angolana, diz que por meio deste documento ele se dirige ao seu amado povo Mapuche e a todas as expressões de luta que hoje têm se levantado em diferentes territórios.
Em 9 de abril de 2020 aconteceu o último recurso que poderia anular seu julgamento, pelo qual o velho Estado chileno o condena a 21 anos de prisão, uma sentença política imposta pelo Ministério do Interior junto com o poder econômico do Chile, e o Ministério Público junto “com o insistência do macabro promotor Armendáriz”. Ele ainda acrescenta que "o processo foi um verdadeiro circo onde nós, como pobres mapuche, não temos direito à defesa, quando aqueles que nos defendem pertencem ao mesmo Estado que nos persegue e nos condena, respondendo à mesma linha corrupta e negligente".
O prisioneiro demarca que é condenado justamente por ser um filho da luta dos Lafken Mapu [1] e da zona de Choque em particular. Área onde durante anos se buscou uma solução política para o problema da terra, das floresta, que por tantos anos levou seu povo a viver em condições de pobreza.
Ele denuncia a ocupação dos territórios mapuche pela empresa florestal CMPC [2] e outros grupos, colocando agressão como assalto à mão armada com a cumplicidade do velho Estado. “Durante anos fomos assaltados e hoje eles nos acusam de roubo [de terras]”. 
O lutador mapuche diz que com o som de armas se ouve o clamor das comunidades: “Hoje o Estado diz que utilizará o Exército para reprimir as demandas, mas nós dizemos responsavelmente aos representantes políticos que analisem bem os custos que isso significa. As experiências que existem dos países da América Latina que optaram por essa forma têm mostrado os custos que ela traz, porque isso pode ser apenas a ponta de um problema maior, não apenas no território mapuche. Essas coisas nós sabemos como elas começam e quando começam não há retorno, digo isto como uma pessoa que conhece o assunto de porque eu nasci e fui criado nessa área”.
“Isto mostra que não perdemos o caminho traçado pelos nossos antepassados para dar conteúdo à vida, sendo consequentes, não traindo, tendo consciência de que somos homens [...] em uma sociedade de desigualdade, injustiça e corrupção, mas temos também uma grande oportunidade de viver para lutar e construir uma sociedade justa”, continua LLanquileo.
“E conhecendo os fundamentos em que se baseia essa demanda territorial, cultural, econômica, política e religiosa, acredito sinceramente nas pessoas da minha aldeia, especialmente no Weichafe [3] que não hesitarão em se sacrificar para defender a terra do nosso nascimento. Nem a morte nem a prisão vão parar o processo de transformação, até a reconstrução mapuche nacional”. Amulepe Tain Weichan! [4] Marichiwew! [5], conclui.

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